sábado, 5 de julho de 2014

riqueza e força da união...

Riqueza da união…

Das vozes e todos os timbres

Se fazem os coros de sonho.

Das cordas nos violinos e no piano,

E toda a gama rica de instrumentos,

Se fazem orquestras portentosas…

Que maravilha!

E o matizado colorido das boninas,

Vestindo as encostas e os vales

De flores…

Ó que regalo!

E das miríades de estrelas brancas

Que enfeitam o firmamento,

Fazendo-o mais branco do que preto

E mais perto que profundo…

Ó que encanto!

E dos enxames das abelhas,

Em portentosa assembleia,

Gerando mel,

Com tanta fartura,

Sob a batuta da abelha-mestra…

Ó que delícia!

E da algazarra estridente,

Nos recreios,

Em alvoroço, acri-doce da pequenada,

Que nos enche o futuro de promessas…

Ó que esperança!

E, quando um povo inteiro

Se une e dá as mãos

E vem para a rua,

Exigindo a igualdade e a justiça…

Ó que força!

E a riqueza que o trabalho dá,

Cada um fazendo o que sabe,

Quer na aula

Ou na oficina,

Sem lugar para os parasitas,

Nem a tirania da política…

Um paraiso!

Berlim, 6 de Julho de 2014

5h50m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

 

 

sexta-feira, 4 de julho de 2014

purificação das mentes...

Purificação das mentes…

O pensamento corre-nos dentro

Como a lava dum vulcão

A arder.

Se derrama em nós

Aos borbotões.

Tudo reveste e pinta

Das cores que tem.

Vem da alma,

Seu mar profundo.

E dos rios do tempo

Que lá foram morrer.

Trazem minérios puros.

Bolas de fogo,

Em combustão.

Caldeirão-cratera.

Ficam rochedos,

Parecem castelos.

Sulcam de rios

Alagam os vales.

Mal arrefecem,

Se cobrem de cinza.

Cai-lhes a chuva,

Leva-as o vento,

Levedam os campos.

Se vestem de verde.

Com toda a pujança.

Faz fumarolas,

Vão pelos ares.

Brilham ao sol,

Correm o mundo.

São arcos-íris,

Cheios de cores.

Regalam os olhos.

Quadros de sonho.

Iluminam as mentes.

Fazem viver.

Berlim, 5 de Julho de 2014

6h11m

Joaquim Luís Mendes Gomes

minha fábrica...

Minha fábrica…

Tenho uma fábrica.
Fabrico velas,
Todas em linho,
Para as caravelas.
No alto mar.
Parecem asas de anacondas.

Se inflamam ao vento.
Ficam em fúria
Com o mar revolto.

São brilhantes,
Se lhes bate o sol.
Ficam impantes
Parecem gigantes,
Ao entardecer.

Arrastam as naus,
Como se fossem arados.
Rasgam as ondas.
Ficam sorrindo.

Quando lhe fecho as portas,
Para me ir embora,
Ficam cantando…
Parecem chorar.

Berlim, 4 de Julho de 2014
21h56m
Joaquim Luís Mendes Gomes



recriação do mundo...

Recriação do mundo…
E um dia, disse Deus:
Vou recriar o mundo.
Um grande lago sideral.
Sem estrelas nem astros reis.
Sem castelos de rocha
Nem aviões.
Sem minérios nem gazodutos.
Sem mistérios de religiões.
Nem ministérios de poderes.
Sem as selvas de avenidas.
Encharcadas de arranha-céus.
Sem casas-brancas,
Nem praças vermelhas.
Nem basílicas de oiro
E vaticanos.
Nem um só urânio de ameaças.
Nem os dubais de plástico,
Em lego ou dominó.
Sem bandeiras.
Sem ONUS ou CEEs.
Sem as seitas negras
Do capital.
Sem moeda. Bancos centrais.
Nem os enxames
Dos computadores.
Sem diabos,
E sem arcanjos.
Nem infernos ou caldeirões.
Sem epidemia de seitas.
Nem os pesadelos tele-jornais.
Sem mais cadernos
Nem alcorões.
Livros de missa
Ou ladainhas.
Desaparecem de vez as assembleias.
E todas as fabricas de gravatas.
Não há opas.
Não há fatos,
Não há vestes.
Um mundo de paz e sem fronteiras…
Berlim, 4 de Julho e 2014
8h57m
Joaquim Luís Mendes Gomes

quarta-feira, 2 de julho de 2014

hora das gaivotas...

Hora das gaivotas…

Levanto-me de madrugada,

Para chegar ao abrir da praça.

Logo à hora dos pescadores.

Ver encher os cabazes

Do peixinho fresco,

Que ainda cheira a mar.

Naquela hora de encher as bancas

E de ver as vendedeiras

Escreverem o preço,

Cada um na sua loisa.

Ouvir o saudar gritante

Das mulheres dos pescadores.

Saias compridas,

Todas ufanas,

E olhos vivos,

Por já terem os seus maridos,

Logo à hora do sol-pôr.

E dos freguezes,

Vieram de longe,

Carregarem as camionetas

E vê-los partir para as suas terras,

A tempo e horas do almoçar.

E aquela frenética vozearia,

Em regateio,

Com interesses antagónicos,

Quase se matam,

Dos que compram

E dos que vendem.

A fecharem em paz

O seu negócio.

Muito obrigado,

Um bom dia…

E até amanhã,

Se Deus quiser!...

E ver os gatos felizardos

Que ali acodem,

Das redondezas,

Vêm famintos

E tão nervosos,

Farejando as presas

Que sobram.

E das peixeiras frescalhonas,

Ancas largas,

Seios trementes,

De açafates à cabeça

De aventais tão luzidios,

Lá se irem, passo a passo,

Rua a rua,

A apregoarem as suas vendas…

Como vão felizes!

E o tilintar das chávenas

E copos de vidro

E das máquinas de café,

-Ó que cheirinho!

Dois bares, em cada lado,

A servirem pequenos almoços,

Sem mais mãos para medir.

É aquela festa brava,

Sempre alegre e matinal

Que nos vicia

E faz viver…

É a hora das gaivotas!

Berlim, 3 deJulho de 2014

6h39m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

 

 

 

 

 

 

claridades da madrugada...

Claridades da madrugada…

Adoro ver no mar

A refulgência das madrugadas.

Cintilações de sonho,

Espraiadas até ao horizonte.

Quando a lua brilha elegante

Sob um céu de estrelas.

Adoro sentir-me entrar,

Janelas dentro,

As brisas das ondas.

Que fervem ao fundo.

Num caldeirão de paz.

E de ouvir o marulhar do mar

Num bailar constante.

Soltar meus olhos,

Como cavalos em fúria,

Saltando as fragas

Da serra ao longe.

Adormecer espaldado,

Na minha varanda de sonho,

Como príncipe feliz.

"Bar dos motocas", arredores de Berlim,

2 de Julho de 2014

10h1m

ouvindo Wolgalied, com André Rieu

Joaquim Luís Mendes Gomes

terça-feira, 1 de julho de 2014

badaladas...

Badaladas…
Em badaladas sonoras,
Uma a uma,
Retine o tempo.
Alegres,
Lânguidas.
Da cor de cada dia.
São sessenta
De hora em hora.
Latejam no peito,
Em relógio certo.
Sua corda inerte
São dois pesos
De pedra morta.
Um que sobe
Outro que desce.
Um que dá,
Outro recebe.
Num acende e apaga.

Ressoam a paz
As suas ondas,
O vento as leva e espalha,
Com sombra e sol.
Vibram nas almas,
Em compassos de espera.
Fonte nascente,
Água corrente
De vida e luz…
Berlim, 2 de Julho de 2014
6h18m
nasceu frio e de sol o dia