domingo, 25 de agosto de 2013

parto difícil...


Parto difícil...

 

Toda a madrugada,

Tive um poema a saltar

Na minha mente cansada.

 

Não entrevia clara, a forma.

Só lhe pressentia

Sua gema dourada.

Querendo romper

E nascer.

 

Se me cerravam

As janelas e portas.

Sem frestas por onde

Coubesse e passasse.

 

Fiquei à espera.

Com a esperança.

Dum parto difícil.

 

Podia ser.

Com o feitiço da lua,

A estrela da aurora,

Se decidisse e nascesse.

 

Ele aqui está...

Lindo e sadio.

 

Quero abraçá-lo e abri-lo.

Ao de leve,

Escondido,

Como quem escuta

Um segredo-surpresa.

Triste ou alegre,

Que chega

Sempre por bem.

 

Cada um,

Sua cor e perfume.

Seu brilho nos olhos.

Cheirando a novo.

Vem doutro mundo.

 

Me surpreende o calor.

E a beleza que brilha...

 

Só lhe empresto a forma,

Como lenha que arde

Porque a chama e o fogo

É d’Alguém

Que sopra e aquece

E não eu...

 

Ouvindo Rachmaninov por Hélène Grimaud

 

Berlim, 26 de Agosto de 2013

8h10

Joaquim Luís Mendes Gomes

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