quinta-feira, 24 de julho de 2014

algodão em rama...

Algodão em rama…

De vez em quando,

Tropeço nas pedras rugosas do caminho,

Coberto de lama

E caio.

Os joelhos recolhidos

Que me servem obedientes,

É que pagam…coitados.

E as calças.

Recorro à água fresca

Na primeira bica de água corrente.

O sangue se vai.

E pégo numa bolinha branca

De algodão em rama,

E, ao de leve,

Com muito respeito,

Compungido.

Faço uma jura e prometo

Nunca mais tropeçar…

Ter mais cuidado.

As calças, essas,

É só ir ao armário,

Nem merecem o conserto

Do alfaiate.

E o certo é que, dias depois,

Quando menos espero,

Uma distracção ligeira,

Um olhar à banda,

Outra vez no chão…

Só peço ao Criador

Que da próxima vez,

Me dê asas,

Em vez destes tacanhos membros,

Tão rasteirinhos,

Sujeitos à lama barrenta

E ao cascalho,

Inclemente e traiçoeiro

Que ela tapa.

E quem paga?

Aquela bolinha inocente

E branca do algodão …

Mafra, 25 de Julho de 2014

6h55m

Joaquim Luís Mendes Gomes

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