terça-feira, 29 de julho de 2014

copo de água...

Um copo de água…

Tão simples…como um copo de água.

  • Ó Quinzinho. Dava-me um copo de água?

Vinham dos campos,

Bem lá do fundo.

Rosto vermelho.

Suor correndo.

Açafate à cabeça,

Com as verduras verdes

Da sua faina.

Eram os grelos.

O feijão verde.

Cebolas. Alhos.

Por vezes pintos

E mesmo galinhas.

A caminho da feira da vila.

Arranjar dinheiro era preciso.

Para o azeite e o petróleo.

Não era preciso muito,

Se não havia doença.

  • O Senhor lhe pague!
  • Pelas alminhas de quem lá tem!...

Como tudo era simples.

Tudo tão puro.

E verdadeiro.

Brotava da alma.

  • Vá com Deus! .- era a resposta do Quinzinho do padre.

Era alfaiate.

Já foi há tanto!…

Tudo tão simples e puro,

Como o tempo e o sol.

Havia perfumes com cor

Por todos os lados.

Saíam da terra

Que o arado arava.

As flores cresciam à solta,

Pelas bordas dos caminhos.

Tudo sorria.

Havia festa.

Por cima, o céu…

Por baixo a terra.

Ó que harmonia!

Que água tão fresca!…

Mafra, 29 de Julho de 2014

6h53m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

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