sábado, 3 de maio de 2014

o bigode farto...

O bigode farto...

Na minha varanda livre,
Vi-me meu Avô José
De barbas brancas.

Ele, de bigode grisalho e farto,
Com sua bengala de pau.
Que figura terna,
Não mais esqueço.

-Nunca mais vem o Quim Luís!...
Se queixava Ele,
Para o meu Pai.

Era uma alegria vê-lo
À minha espera,
Quando vinha de férias.

Iria poder contar
Toda aquela história linda
Que Ele vivera.

A perseguição aos padres
Pelos Liberais.
Já a sabia de cor.
Seus olhos brilhavam
De luz,
Porque havia um neto
Que sabia ouvi-lo...
- O Padre Bráulio,
Figura enigma
Que me ficou gravada.
Era padrinho do meu Pai...
A bonomia em pessoa.
Tamanha candura,
Nunca mais vi...
Vivo dela, nestas horas extremas,
A que tão depressa
Me vi chegado.

Agora eu o sinto
Igual a mim.
Ele de bigode farto
E eu de barbas brancas!...
Agora O canto,
Nestas linhas de dor.

A vida é tão breve.
Ó que saudade!...
Nunca pensei!...

Berlim, 3 de Maio de 2014
15h7m
Joaquim Luís Mendes Gomes


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