terça-feira, 28 de maio de 2013


O meu gatito cinzento

 

Sem marca.

Veio dum bando,

Sem pai registado.

 

Fez-se cá a casa.

Num instante.

Agora é sua.

 

Não há cortina ou cadeira

De seda ou de napa,

- ó que desgraça!...

Que escape as suas dedadas .

 

Salta-me para o colo.

Indiferente ao que faça.

Está-se nas tintas.

 

Seus longos bigodes,

Varrem-me as faces,

Me cheira o nariz.

Oiço rom-rons ritmados,

Na sua guela.

Parecem tambores.

 

Seus olhitos vivaços

Seguem o rato e as letras

Que correm

No écran luminoso

Do meu computador.

 

 Atiro o ao chão.

E ele, danado,

Dá mil voltas à casa

Em correria louca.

 

Segundos passados,

Sem vergonha na cara,

Teimoso,

Aí está de volta,

Em cima dos ombros,

Sem espera de vez.

 

Ovar, 29 de maio de 2013

7h52m

Joaquim Luís Monteiro Mendes Gomes

 

 

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